Técnicos do IDR-Paraná monitoram esporos da ferrugem-asiática causado pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Trabalho realizado em diferentes regiões do Estado contribui para o acompanhamento da doença e auxilia decisões de manejo da soja, com destaque para a região de Campo Mourão.
Por trás do monitoramento da ferrugem-asiática da soja existe um trabalho técnico que começa nas lavouras e continua diante do microscópio. O IDR-Paraná participa dessa atividade por meio de coletores de esporos instalados em propriedades rurais de diferentes regiões do Estado. Os equipamentos permitem capturar partículas transportadas pelo ar, entre elas os esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática. Periodicamente, as lâminas são retiradas dos coletores, identificadas e encaminhadas para análise. É nessa etapa que os técnicos desempenham uma função essencial para transformar o material coletado em informação útil ao monitoramento fitossanitário. A leitura exige conhecimento, atenção e capacitação para reconhecer as estruturas microscópicas de interesse e diferenciá-las de outras partículas presentes na amostra.
Também é necessário registrar corretamente os resultados e preservar a identificação do local de origem, garantindo que as informações possam ser relacionadas à região monitorada. Embora pareça uma atividade simples, o exame de cada lâmina exige cuidado e responsabilidade. O profissional precisa observar o material com atenção e interpretar o resultado dentro dos limites da análise realizada. A qualidade desse trabalho é fundamental para que os dados possam integrar o acompanhamento da doença nas diferentes regiões produtoras de soja.
Um exemplo concreto que ocorreu na safra 2024/2025 (Fotos anexo). O extensionista Antônio Eduardo Egydio realizou, em Peabiru, a leitura de uma lâmina proveniente de coletor instalado em Campo Mourão. Durante a análise, foram registradas estruturas identificadas como associadas à ferrugem-asiática da soja. O caso demonstra como a coleta em uma propriedade rural e a leitura em outro município podem fazer parte de uma mesma rede de acompanhamento na qual poderá ser acompanhada em tempo real pelo link: https://idr.mapas.pr.gov.br/ferrugem.
O resultado precisa ser interpretado em conjunto com as condições climáticas, o estádio de desenvolvimento da cultura, a observação das plantas e outras informações agronômicas disponíveis. Da mesma forma, a ausência de esporos em determinada amostra não elimina o risco de ocorrência da doença. A lâmina representa um local e um período específico, enquanto a circulação do fungo e as condições favoráveis à infecção podem mudar ao longo da safra. Por isso, o monitoramento deve ser entendido como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, e não como substituto da avaliação técnica da lavoura. Quando integrado à orientação dos extensionistas, pode contribuir para escolhas mais criteriosas sobre o manejo da ferrugem-asiática. Esse acompanhamento também tem potencial para auxiliar no uso racional de fungicidas, evitando aplicações desnecessárias sem comprometer a proteção da produtividade. A decisão de controle, entretanto, deve considerar o conjunto de fatores envolvidos na evolução da doença e as recomendações técnicas aplicáveis a cada situação. A atuação dos profissionais do IDR-Paraná evidencia a importância da extensão rural na agricultura moderna.
A evolução tecnológica também abre novas possibilidades para esse trabalho. Pesquisas voltadas à utilização de inteligência artificial na identificação de esporos podem, futuramente, auxiliar na análise de imagens microscópicas e ampliar a capacidade de processamento.
Ao transformar estruturas microscópicas em informações para o monitoramento, os técnicos do IDR-Paraná demonstram que a proteção da agricultura também depende da capacidade de observar aquilo que ainda não pode ser visto a olho nu. Esse esforço reforça a importância da pesquisa, da extensão rural e da cooperação entre instituições e produtores para uma agricultura cada vez mais informada e preparada para enfrentar os desafios fitossanitários.
Fonte- unidade de extensão rural do IDR-Paraná de Peabiru.








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