Entre os dias 03 e 07 de setembro de 2026, o Sargento Paulo Henrique, comandante da Brigada Comunitária de Roncador, realizou a primeira Expedição Peabiru–Roncador, uma experiência de campo criada com o objetivo de estudar e vivenciar, na prática, algumas das situações enfrentadas por pessoas desaparecidas durante uma ocorrência.
A caminhada teve início no dia 3 de setembro e passou pelo distrito de Silviolândia, município de Corumbataí do Sul, pelos distritos de Paraíso do Sul e Água Fria, pelo município de Iretama e pelas comunidades de Venda Azul, Marilu, Santo Antônio e Barriquinha, até chegar a Roncador no dia 7 de setembro, por volta das 17 horas.
Ao todo, foram aproximadamente 150 quilômetros percorridos em cinco dias e quatro noites, exclusivamente por estradas rurais. Durante a expedição, o repouso foi realizado em sistema de acampamento.
Um dos aspectos que chamou a atenção durante a experiência foi a decisão de não levar água ou alimentos, justamente para buscar uma aproximação com as dificuldades que uma pessoa desaparecida pode enfrentar quando está distante de sua residência e sem acesso aos recursos básicos.
Segundo o Sargento Paulo Henrique, a expedição teve como finalidade realizar um verdadeiro estudo de caso, procurando sentir os impactos provocados pelo clima, pela falta de alimentação, pelo contato com pessoas desconhecidas, pela necessidade de encontrar ajuda e pelas distâncias que uma pessoa pode conseguir percorrer durante um desaparecimento.
Durante a experiência, em duas oportunidades, o Sargento conseguiu percorrer cerca de 40 quilômetros caminhando em um único período, demonstrando como uma pessoa desaparecida pode rapidamente se afastar do ponto onde foi vista pela última vez.
Experiência reforça alerta sobre desaparecimentos
Paulo Henrique chama a atenção para uma questão considerada fundamental nas ocorrências envolvendo pessoas desaparecidas: o acionamento imediato das autoridades.
Ele ressalta que existe uma ideia equivocada de que seria necessário aguardar 24 ou 48 horas para comunicar o desaparecimento. Segundo o Sargento, essa espera pode dificultar significativamente o trabalho das equipes responsáveis pelas buscas.
O alerta vale para qualquer situação, independentemente da causa do desaparecimento, envolvendo pessoas com Alzheimer, surtos, transtornos psiquiátricos, crianças ou qualquer outra circunstância.
A orientação é que, diante da suspeita de desaparecimento, as autoridades sejam acionadas imediatamente, principalmente o Corpo de Bombeiros, para que sejam adotados os procedimentos necessários o mais rápido possível.
“Um dia que se perde pode fazer com que a vítima alcance outra área de atuação de uma Companhia ou até de outro Batalhão, dificultando o planejamento e o desenvolvimento das buscas”, explica o Sargento.
Frio extremo durante a experiência
Outro fator que marcou a expedição foi o frio enfrentado durante as noites.
Mesmo utilizando os equipamentos e aparatos disponíveis para proteção, Paulo Henrique relatou ter enfrentado frio extremo durante a madrugada.
A experiência serviu também para demonstrar a vulnerabilidade de uma pessoa que esteja desaparecida e debilitada, especialmente crianças, idosos ou pessoas com problemas de saúde.
“Uma pessoa debilitada ou uma criança poderia não resistir às mesmas condições”, destacou.
As primeiras horas podem ser decisivas
Além das dificuldades físicas, a experiência também buscou demonstrar a importância da preservação de informações e vestígios que podem auxiliar as equipes de busca.
Com o passar dos dias, alguns elementos importantes podem ser perdidos ou alterados, como marcas no terreno, sinais de deslocamento e características do local onde a pessoa foi vista pela última vez.
Outro recurso importante são os cães empregados nas operações de busca. Para isso, roupas ou objetos que contenham o odor específico da pessoa desaparecida podem ser fundamentais para auxiliar o trabalho dos animais.
Por esse motivo, o Sargento reforça que o tempo é um fator determinante em uma ocorrência de desaparecimento.
Orientação à população
Ao concluir a expedição, Paulo Henrique deixa um alerta à população: ao perceber que uma pessoa pode estar desaparecida, não espere.
A recomendação é comunicar imediatamente as autoridades competentes, especialmente o Corpo de Bombeiros, para que os procedimentos técnicos de busca sejam iniciados o quanto antes.
A experiência de cinco dias e 150 quilômetros percorridos permitiu ao Sargento vivenciar algumas das dificuldades que podem surgir durante um desaparecimento e reforçou uma mensagem considerada essencial: quanto mais cedo as equipes forem acionadas, maiores são as possibilidades de preservar informações, estabelecer estratégias e localizar a pessoa com segurança.
A primeira Expedição Peabiru–Roncador, portanto, além de representar um desafio pessoal e profissional, teve como principal propósito contribuir para a conscientização da população e reforçar que, em uma situação de desaparecimento, cada minuto pode fazer diferença.
Clique no link abaixo e confira vídeo do Sargento no Instagram:
https://www.instagram.com/p/DdCXu6fPc5O/
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