Na agropecuária preservativa, o agronegócio pode acessar várias tecnologias disponíveis para os agricultores familiares e demais produtores. O ponto de partida do trabalho com tais insumos foi a Lei nº 16.751/10, que instituiu a alimentação escolar orgânica em todo o sistema estadual de ensino do Paraná até 2030. Assim, vários esforços de parceiros institucionais estão buscando atingir, ao menos em parte, este compromisso. Um dos exemplos é a 5ª “Feira Caminhos da Produção Orgânica”, que será realizada em 10 de setembro, na Praça do Fórum, em Campo Mourão.
Dentro deste escopo, o IDR-Paraná de Janiópolis avançou mais uma etapa, em 18 de agosto de 2026, na Comunidade Graminha, com um minicurso de Bioinsumos – Produção de Biofertilizantes Super Magro e Água de Vidro. Visando atingir nosso público-alvo, foram convidados produtores de leite, hortaliças, frutíferas e grãos, totalizando 48 pessoas que estão sendo capacitadas para entender, formular e usar bioinsumos em suas propriedades.
Esse grupo inicial já recebeu pelo menos dois treinamentos para coleta e formulação de composto com Organismos Eficientes e dos fertilizantes Super Magro e Água de Vidro. Do grupo, 20 pessoas adquiriram 36 kits de sais, suficientes para formular 720 litros do fertilizante Super Magro. Tal volume será suficiente para que sejam efetuadas três aplicações em uma área total de 200 hectares (orientação do Dr. Orlando Assis).
Além dessa aquisição coletiva de sais, é possível citar a família de Carlos Alberto dos Santos (Vila Rural Elias Abraão), que já está produzindo e comercializando hortaliças sem o uso de agroquímicos.
O ambiente de produção e uso de bioinsumos em nosso município ganhou maior dimensão após a intervenção pedagógica do Dr. Orlando Assis, do IDR-Paraná, no 23º Ciclo de Palestras da Expogoio 2026. Aquele evento despertou maior atenção para o uso de insumos biológicos e provou que tal tecnologia é viável ao produtor, tanto técnica quanto economicamente.
Os biofertilizantes são produzidos a partir da mistura de material orgânico e inorgânico com água e, depois, submetidos a processos aeróbicos ou anaeróbicos de decomposição. A partir de então, os compostos podem ser usados na adubação de plantio, cobertura e aplicação foliar. Os resultados ocorrem no incremento da produção, na economia e na sustentabilidade, requisitos essenciais para o sucesso da agricultura orgânica.
A produção e aplicação de bioinsumos são regidas pela Lei nº 10.831/03. Para quem tem condições e deseja formular tais produtos na propriedade, está prevista a realização de mais um minicurso pelos extensionistas José Cláudio do Prado e José Carlos Denck. Além do uso em olericultura, é bom lembrar que as grandes culturas já utilizam bioinsumos há mais de 40 anos. O exemplo clássico é a cultura da soja: para produzir uma tonelada de grãos de soja, são necessários cerca de 80 kg de nitrogênio.
O uso de inoculantes é a maneira ambiental e economicamente mais eficiente para fornecer nitrogênio para a soja. Estudos confirmam que a reinoculação anual da soja proporciona um incremento médio no rendimento de grãos de 8,4% em relação às áreas que não são inoculadas anualmente (EMBRAPA, 2023).
Para hortaliças, leite e frutíferas, o uso de bioinsumos corrobora com o modelo de Produção Ecológica e traz, no seu bojo, a produção de alimentos saudáveis, a saúde dos consumidores e dos produtores rurais, além de caminhar em busca da sustentabilidade ambiental.
Fonte: Unidade de Extensão Rural do IDR-Paraná de Janiópolis.
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