Há 13 anos, a rotina da família Kovalski foi interrompida por um desaparecimento que jamais foi esclarecido. Em 24 de agosto de 2013, João Rafael Kovalski, então com 1 ano e 11 meses, desapareceu do quintal da propriedade da família, na área rural de Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba. Desde então, nenhum corpo localizado e nenhuma pessoa responsabilizada pelo caso.
Em entrevista à repórter Gabi Lira, do Catve.com, a mãe do menino, Lorena Cristina Conceição, voltou a relatar detalhes que, segundo ela, nunca deixaram de causar inquietação. A principal dúvida permanece a mesma: o que realmente aconteceu com João Rafael?

Suspeitas que nunca saíram da memória da família
Lorena conta que teve uma gestação gemelar e que João Rafael nasceu junto com uma irmã. Segundo ela, o menino chamava atenção pelos cabelos loiros, olhos azuis e descendência polonesa.
A mãe afirma que, antes do desaparecimento, um empresário conhecido da família teria demonstrado interesse incomum por uma criança com essas características. Conforme o relato, o homem teria inicialmente comentado com o avô de João Rafael que procurava uma criança para uma familiar que não podia ter filhos.
A suspeita da família ganhou força ao longo dos anos com relatos de pessoas próximas. Um dos depoimentos mencionados por Lorena foi prestado pelo próprio sogro à Polícia Civil. Segundo ela, ele relatou ter ouvido insistentes pedidos relacionados à entrega da criança e chegou ser ameaçado.
"No começo era uma criança, depois ele falou: por que a sua nora não dá o filho dela para nós. Porque se ela der o filho, vai ser mais fácil pra ela criar".
Meses após o desaparecimento, uma vizinha também procurou a família afirmando que a babá que auxiliava nos cuidados da casa teria retirado o menino da propriedade e o entregue ao empresário.

A hipótese do rio nunca convenceu a mãe
Nos primeiros dias de investigação, uma das linhas de apuração considerou a possibilidade de João Rafael ter caído no Rio Ribeira de Iguape, que passa próximo à propriedade. Equipes especializadas realizaram buscas na região, mas nada foi encontrado.
Lorena nunca acreditou nessa hipótese
Segundo ela, o acesso ao rio era extremamente difícil para uma criança da idade do filho. O terreno possuía cercas e um barranco íngreme entre as residências e a água. Mesmo após buscas intensas, não houve qualquer vestígio que confirmasse um afogamento.
Carta anônima trouxe revelações
Anos depois, uma carta anônima reacendeu as expectativas da família. O papel foi deixado próximo à residência da irmã e apontava um possível responsável pelo desaparecimento.
Segundo Lorena, a mensagem afirmava que o corpo do menino estaria enterrado no quintal de uma propriedade ligada ao homem citado nas suspeitas da família.
A carta foi entregue à Polícia Civil. Apesar disso, o material não apresentou elementos considerados suficientes para sustentar medidas investigativas mais profundas ou identificar o autor da correspondência.

"Você perde um filho e perde o chão"
Durante a entrevista, Lorena demonstrou forte abalo emocional ao falar sobre os anos de incerteza.
Ela afirma que a família nunca recebeu respostas definitivas sobre o desaparecimento e critica o fato de o caso ter sido arquivado sem que houvesse uma conclusão capaz de convencê-los.
"Nunca passaram para nós uma investigação que explicasse o que aconteceu", relatou.
Hoje, fora do mercado de trabalho e ainda afetada emocionalmente pelo desaparecimento do filho, ela resume a dor que acompanha a família há mais de uma década:
"Você perde um filho, perde o chão. Não sabe nem o que tem que fazer".
A irmã gêmea de João Rafael faz tratamento psicológico nos dias de hoje, pois enfrenta traumas para sair simplesmente sair na rua.
FONTE: CATVE
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