É possível produzir soja sem uso de agroquímicos?
Estamos às vésperas do plantio de uma nova safra de soja e em Peabiru temos uma resposta positiva para esta pergunta com Sr. Herbert Drager, morador na comunidade Boa Esperança desde que nasceu, a 61 anos. Sua propriedade é uma Unidade de Referência acompanhada pelo IDR-Paraná e o produtor é atendido por seus extensionistas desde o tempo da ACARPA e EMATER.
Na safra 2024/2025 sua lavoura de soja de 5,14 alqueires foi conduzida religiosamente usando a tecnologia Embrapa do Manejo Integrado de Pragas, o MIP, ou seja, usando o “Pano de Batida” para o monitoramento dos insetos praga. Também fez uso da tecnologia do Manejo Integrado de Doenças, o MID, com avaliação semanal de doenças foliares e instalação de um coletor de esporos para monitoramento da Ferrugem asiática, a principal doença da soja. A adoção de boas práticas agrícolas diferencia a condução da cultura da soja durante todo o seu ciclo, do plantio a colheita, sendo o MIP e o MID as mais importantes após a germinação da lavoura.
O monitoramento das pragas inicia-se logo após a germinação da cultura e é realizado verificando o que se tem sobre o solo e na palhada, identificando não somente os insetos considerados pragas, mas também o que são “Inimigo naturais” das pragas e “amigos naturais” do produtor. Nesta fase é feito o processo chamado pelo extensionista de “ciscar”, onde a palhada é manipulada para identificação de todos os seres vivos ali presentes, inclusive usando uma luva especial para prevenir acidentes com espécies peçonhentas. Esse levantamento é feito em 10 pontos da lavoura com anotação imediata numa caderneta de campo, cujas informações serão repassadas para planilha eletrônica denominada de “Manejo.app”. Com o crescimento inicial das plantas de soja, entra em ação o “Pano de batida”, com monitoramentos semanais até o final da fase reprodutiva da soja.
A tecnologia MIP incorporada na rotina da propriedade, juntamente com o uso de cultivares resistentes ao ataque de lagartas, proporcionou ao produtor eliminar o uso dos inseticidas na propriedade nas últimas 4 safras. O segredo é estar semanalmente caminhando e monitorando a lavoura, inclusive mais de uma vez na semana se necessário. Quando a quantidade do inseto praga atingir o nível de controle preconizado pela pesquisa o produtor faz o controle químico; se não atingir o nível de controle, não faz o controle químico.
Houve momentos em que a população de “pragas” chegou muito próximo ao ponto crítico para execução do controle com pulverização; porém a técnica, aliada a experiência e domínio do produtor e orientação do IDR, possibilitou a decisão segura por não fazer uso de inseticida. Como exemplo desta safra foi o registro da população de percevejo marrom que chegou a 1,8 percevejos por metro linear, próximo ao recomendado como nível de controle, ou seja, 2 percevejos; porém, com tranquilidade, o produtor acompanhou a situação com nova batida de pano a cada 03 dias e a constatação foi o declínio da população em função do parasitismo dos “inimigos naturais”, também monitorados no MIP.
Com quatro safras sem inseticidas, a novidade no ciclo 2024/2025 foi a não utilização de fungicidas para o controle de doenças. Isto foi possível graças ao MID, o Manejo Integrado de Doenças, através da instalação de um coletor de esporos na área, com acompanhamento semanalmente da presença de esporos da Ferrugem Asiática, bem como atenção aos demais 18 coletores instalados na região, além da avaliação foliar na lavoura.
Após a chegada de esporos na região a avaliação através de microscópio passa a ser realizada 02 vezes por semana. Como o produtor já tem experiência de MID, também é realizada coleta de esporos nas folhas da soja a partir da fase de “canivete”, o que agrega ainda mais segurança na tomada de decisão. Além da presença de esporos da ferrugem, ou mesmo sintomas de outras doenças, outro ponto importante considerado é a condição climática favorável ou não ao desenvolvimento de doenças. Nesta safra o Sr. Drager optou por não fazer o controle químico, mesmo com a comprovação da doença na lavoura, uma vez que o clima muito seco era prejudicial não somente à lavoura, mas também à disseminação da doença.
A pergunta que fica é: e a produtividade? Realmente a produtividade não foi boa, ou seja, 117 sacas por alqueire. Contudo, o produtor está satisfeito com as tecnologias MIP e MID, pois tem a certeza de que o resultado não ocorreu devido ao ataque de pragas e ocorrência de doenças, mas sim devido à estiagem aliada a alta intolerância da cultivar plantada para falta de chuvas. Em uma pequena parte da lavoura foi utilizada outra cultivar, mais tolerante à seca, onde o resultado foi o equivalente à 160 sc/Alq. Também contribui para esta conclusão o fato de vizinhos terem colhido uma média de 120 sc/Alq, porém utilizando 02 pulverizações de inseticidas e 02 de fungicidas. Portanto, o Sr. Drager colheu com um menor custo de produção.
A tecnologia MIP já é utilizada a 12 anos no trabalho em unidades de referência tecnológica em todo o Paraná, com publicações anuais dos resultados numa parceria entre IDR-Paraná e Embrapa, com potencial de redução de 53 % no uso de inseticida. Já o MID replica resultados positivos em 9 safras, também com publicações anuais em parceria com a Embrapa, com potencial de redução de 37% no uso de fungicidas.
O objetivo do MIP e do MID não é eliminar o uso do controle químico, uma vez que grandes áreas de cultivo favorecem a ocorrência de pragas e doenças. O objetivo é proporcionar aos agricultores critérios técnicos na tomada de decisão pelo uso de agrotóxico, utilizando-os somente quando necessário. Portanto, para uma produção mais sustentável de soja, a atitude necessária aos produtores é o caminhar e monitorar semanalmente suas lavouras.
Fonte - Unidade de extensão rural do IDR-Paraná de Peabiru.
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