Em razão do alto nível de importações de aço, a Gerdau demitiu cerca de 1.500 colaboradores no Brasil entre janeiro e julho deste ano, informou o CEO do grupo, Gustavo Werneck, à imprensa, na última semana. Segundo o executivo, a empresa também já decidiu que reduzirá o volume de investimentos no mercado brasileiro nos próximos anos.
Os desligamentos foram se intensificando ao longo dos últimos meses e aceleraram ainda mais na última semana, após não terem sido anunciadas medidas adicionais de defesa comercial na reunião do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) do dia 24, conforme era esperado. Os cortes no quadro de funcionários dos últimos dias se concentraram, sobretudo, nas usinas de aços especiais em Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, em São Paulo.
Quanto aos desembolsos, Werneck havia sinalizado em fevereiro que a empresa poderia revê-los se o governo federal não impusesse novas medidas para conter as importações, consideradas desleais. Como não ocorreu nenhuma mudança real, a Gerdau tomou a decisão de não aplicar no Brasil, a partir de 2026, as mesmas cifras dos últimos anos – de cerca de dois terços dos aportes totais do grupo, que giram em torno de R$ 6 bilhões por ano.
“Não tem sentido continuarmos investindo tão alto no Brasil, já que o governo federal não toma medidas alinhadas à Organização Mundial do Comércio para impedir a entrada desleal de aço, especialmente da China, e não conseguimos competir de forma igualitária e isonômica”, disse o CEO. “Então, vamos reduzir. É uma decisão tomada”, reiterou.
Por outro lado, a companhia seguirá com o mesmo patamar de desembolsos nos Estados Unidos, de acordo com o executivo. “Lá encontramos um ambiente adequado para continuar investindo e produzindo localmente, como fazemos há mais de 30 anos”, pontuou.
No momento, a Gerdau debate quais investimentos futuros no País serão mantidos e quais serão cancelados. A ideia é manter os projetos, ainda não aprovados, que promovam melhorias e redução de custos, enquanto aqueles que não têm relação direta com custo e competitividade, por exemplo, de aumento de capacidade produtiva, sejam descartados.
Segundo o CEO, possivelmente os aportes em Minas Gerais, especialmente em mineração sustentável e na usina de Ouro Branco, na região Central, que possam representar diminuição de custos, vão acontecer. Mais detalhes da reavaliação do plano de inversões dos próximos anos estão previstos para serem divulgados no Investor Day, em outubro.
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