Os valores da cadeia pecuária de boi para abate e carne – recuaram com
força em um ano em Campo Mourão e região, deixando pecuaristas no
prejuízo. O curioso é que a baixa não tem chegado no mesmo patamar ao
consumidor. Ou seja, a carne ainda continua bastante cara em mercados e
açougues. Em muitos casos, os preços até aumentaram.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada (Cepea), o cenário está atrelado sobretudo à maior
oferta de animais neste fim de safra. “A maior disponibilidade de gado em
2023 – especialmente de fêmeas –, por sua vez, é resultado de
investimentos realizados pelo setor pecuário nos últimos anos”, informou o
órgão, em nota à TRIBUNA.
Conforme levantamento feito pela reportagem, em consulta a boletins
diários de preços divulgados pelo Departamento de Economia Rural do
Paraná (Deral-PR), em um ano, a arroba do boi gordo (15 quilos) sofreu
uma queda de 21,67% em Campo Mourão e região.
Para se ter ideia, em maio de 2022 era vendida pelo produtor entre R$
300,00 a R$ 305,00 aos frigoríficos para abate. Mas caiu agora, no mesmo
período, para R$ 235,00 a R$ 250,00. Ou seja, uma queda de R$ 55,00 a R$
65,00 a arroba. Em janeiro deste ano, o preço para abate variava entre R$
280,00 a R$ 290,00.
Quem atua na atividade está sentido na pele e no bolso este desfalque
com a queda nos preços. O tradicional pecuarista Wilson Godoy, da região
de Iretama, avaliou o atual momento como caótico à atividade. “Está
complicado. Pagamos o preço dos insumos tudo em alta na época em que
a arroba do boi ainda estava rentável. Tivemos altos custos também em
inseminação e sal mineral caro. Esperamos que este cenário não perdure,
caso contrário a atividade ficará totalmente inviável. Muita gente vai ‘quebrar’”, preocupou-se. Ele diz que pecuaristas vêm fazendo
‘malabarismos’ em suas propriedades para manter a atividade com os
preços desvalorizados da proteína.
Godoy observa que o curioso é que apesar da queda nos preços ao criador,
o produto pouco baixou nas gôndolas ao consumidor final. “No mercado,
se você for comprar carne bovina não mudou em quase nada o preço em
relação ao último ano, por exemplo, salvo engano quando há alguma
promoção como clube de desconto, o que é muito difícil”, observou.
Para se manter na atividade, o pecuarista disse que é preciso redobrar o
planejamento na propriedade e colocar o ‘pé no freio’. “Quando tem o boi a
pasto é mais fácil você segurar. Já aquele que está em confinamento fica
mais complicado porque deu o ponto de abate tem que mandar para o
frigorífico. Nestes casos, não há como amenizar o prejuízo. Temos que
absorver a diferença e fazer mágica para as contas baterem depois”,
comentou.
Godoy alerta que se houver mais queda no valor da proteína há
pecuaristas que podem definitivamente ‘fechar a porteira da propriedade’,
abandonando a atividade. “Estamos passando por um momento muito
difícil. Vinhamos há cinco ou seis anos com preços estabilizados e
valorizando. De repente o cenário virou de ponta cabeça”, lamentou.
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O pecuarista observou que para amenizar os prejuízos, criadores vem
fazendo o abate de muitas fêmeas. Isso pode levar à falta de bezerros no
mercado no futuro, prejudicando também a atividade. “Leva tempo até
refazer as matrizes novamente. Neste caso, quem mais pode ser
prejudicado é o consumidor”, alertou.
Fonte: Tribuna do Interior
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