Campo Mourão completa hoje 72 anos de emancipação política e administrativa. Por meio da lei nº 2, sancionada em 11 de outubro de 1947, o município era criado e emancipado de Pitanga. O processo de emancipação, segundo relata o historiador Jair Elias dos Santos Júnior, nasceu de uma discussão no gabinete do governador. “O Paraná estava passando por um processo de organização administrativa. A intenção do governo era tornar o distrito em município somente na década de 1960”, explica.
Porém, ao tomarem conhecimento da notícia, Pedro Viriato de Souza Filho procurou Francisco Albuquerque, os dois eram amigos e fazendeiros. Albuquerque incentivou Viriato incentivou a ter “uma audiência com o governador Lupion. Nesse encontro, em Curitiba, nasceu Campo Mourão. Um assessor do governador interrompeu a audiência. E Pedro Viriato ficou furioso com a opinião contrária do mesmo”. Para apaziguar os ânimos, o governador cedeu a reivindicação de Pedro Viriato, desde que o mesmo fosse o prefeito. “Assim nasceu o município, que não tinha estrutura para ser emancipado, mas pela imposição de suas lideranças, conseguiu ser criado”.
Logo nos primeiros anos, Campo Mourão foi agraciada com benfeitorias do governo, entre elas, prédios públicos, a Usina Mourão e a criação da Comarca.
Na década de 1960 – no auge da exploração madeireira – a cidade ganhou o prêmio de Município Modelo do Paraná. A conquista foi eternizada no hino de Campo Mourão, entoado pela primeira vez em 1967. “A maioria, ao ouvir que no passado já fomos considerados como Modelo do Paraná, imagina que isso se deve a estrutura urbana da cidade”, conta. “Na verdade, o prêmio foi dado pela harmonia que existia entre os poderes municipais e também pela criação do Conselho Comunitário, que foi a primeira entidade de representação popular da cidade”.
O NOME
E o nome – como surgiu ele? Boa parte dos mourãoenses imaginam que o nome da cidade deve ser por causa de algum pioneiro ou pelos mourões, os troncos que demarcam os limites das fazendas.
Para Jair Elias, autor de 12 livros sobre a história local, não é nada disso. “O nome Campo Mourão, simplificado dos Campos dos Mourão, surgiu em 1769, ou seja, há 250 anos”.
Em 1769, o Paraná ainda não existia, e pertencia a São Paulo, que era governado pelo português Dom Luís António Botelho de Souza Mourão. Para impedir o avanço espanhol.
No livro “Campo Mourão: a construção de uma cidade”, do historiador Jair Elias, relata que várias expedições percorreram o Paraná. E uma delas, em 1769, viu um imenso campo que foi batizado de Campos do Mourão, em homenagem ao governador Dom Luís António Botelho de Souza Mourão, que determinou que todas as descobertas deveriam ter o seu nome ou sobrenome.
Para a execução da ordem, Afonso Botelho, primo de Dom Luís, instruiu Estêvão Ribeiro Baião para registrar com seus sobrenomes todas as descobertas que fossem realizadas. Porém, o desfecho da expedição foi trágico. Baião ficou enfermo e teve que voltar para sua casa, vindo a falecer dias depois do regresso. A expedição foi terminada por Francisco Lopes da Silva que descobriu as ruinas abandonadas de Vila Rica do Espirito Santo (atual município de Fênix).
Dom Luís e Afonso Botelho regressaram anos depois para Portugal, onde faleceram, e estão sepultados na Casa de Mateus, instituição que guarda documentos históricos sobre o governo de Dom Luís no Brasil.
Por Jair Elias dos Santos Junior – historiador em Campo Mourão - Via Tasabendo